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Dia da mulher: não são só flores e chocolates

No dia 08 de março é celebrado o Dia Internacional da Mulher, data em que normalmente reconhecemos ainda mais o valor das mulheres e tentamos demonstrar o carinho por elas por meio de gestos e até mesmo presentes e mimos.. Mas a data vai muito além disso. Não é apenas um dia marcado em vermelho no calendário, um dia como outro qualquer, um dia de presentear. A data representa as diversas batalhas das mulheres em busca de equidade em todos os aspectos.

Normalmente, ao citar a data, a memória coletiva acessa os fatos ocorridos em 25 de março de 1911 em Nova York, quando cerca de 130 operárias morreram carbonizadas em uma fábrica têxtil. Contudo, o levante feminista em prol da conquista de direitos já ocorria mesmo antes desse acontecimento, proveniente  de movimentos operários. À época, as reivindicações eram por melhores condições de trabalho, como o fim das jornadas de 15 horas diárias,  salários medíocres e o fim do trabalho infantil.

Antes da oficialização do dia 08 de março, criada na Dinamarca em 1910, ocorreram também tentativas de estabelecer outros dias como o Dia Internacional da Mulher. A primeira celebração ocorreu em maio de 1908, quando mulheres aderiram a uma manifestação em prol da igualdade econômica e política nos Estados Unidos. Também ocorreram outras manifestações e reuniões envolvendo a Organização das Nações Unidas e demais órgãos mundiais.

A participação russa na Primeira Guerra Mundial foi um dos fatores determinantes para o estabelecimento da data. Em 8 de março de 1917, num protesto que ficou conhecido como “Pão e Paz”, aproximadamente 90 mil operárias manifestaram-se contra o Czar Nicolau II e todo o contexto social do momento,que envolvia, além de péssimas condições de trabalho, a fome ocasionada pela falta de recursos por conta da participação russa na guerra. A data foi oficializada somente em 1921.

Em 1945, a ONU assinou o primeiro acordo internacional que firmava o princípio de igualdade de gêneros, com o “Ano Internacional da Mulher” sendo celebrado 30 anos depois (em 1975). Mas foi só em 1977 que a organização, enfim, reconheceu oficialmente a data “08 de março”.

Mudando de cenário e aproximando-o para nossa realidade, é necessário relembrar que em nosso País, as mulheres garantiram o direito ao voto há relativamente pouco tempo (em 1932) e que, infelizmente, há grandes evidências de que ainda é preciso manter ativa a batalha feminista. O desequilíbrio de salários entre funções e atribuições exatamente iguais exercidos por homens e mulheres é evidente e novas tentativas de retrocesso jogam contra todo avanço - que ainda é pouco, mas pode ser considerado um avanço comparado às décadas passadas - já realizado pelos movimentos feministas. Como o caso de uma nova lei trabalhista que permite o trabalho de gestantes em condições insalubres, a menos que  apresentem atestados contra-indicando a atividade.

Devemos reconhecer sim os avanços ocorridos, mas é importante manter sempre a discussão e a visão geral de toda essa situação, para que o dia 08 de março não se torne apenas uma data comemorativa. e sim para que seja lembrado todos os dias como uma referência para avanços presentes e futuros.

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